Saturday, December 22, 2007

CARINHO DE MAR

Vim com o sangue gelado
Das terras do lado norte,
Sentindo o peito cansado
Dos desafios da sorte.

Cheguei ao mar bem cedinho
Ainda a lua a espreitar,
E senti o seu carinho
Vinha a saudade abrandar.

Sentei-me à beira d’água
Respirando o cheiro a mar,
Expirei a minha mágoa
E fui com as ondas dançar.

Não há como o mar salgado
Para inspirar harmonia,
Com seu constante bailado
Perfumado de maresia.


Fernanda

Friday, December 14, 2007

Farrapos de Neblina


Os farrapos translúcidos,
Translúcidos de neblina,
Engolem o mar,
Mesmo à minha frente.
As cristas agitadas
Expulsam ondas magoadas.

O primeiro raio-de-sol acordado
Faz cintilar uma estrada,
Estrada enorme de mar prateado.

Passam duas gaivotas.
Parecem amigas.
Talvez amantes,
Pela forma como se abraçam
Em pleno voo…
Num voo suave, mágico,
Divino, celestial, endeusado,
Enquanto um enamorado
Vê nelas o sonho,
O sonho de um enobrecido amor
Pela neblina ofuscado.

Salta uma bola.
Tomba-se o sonho.
Tomba-se a ilusão.

Foi-se o devaneio.
Foi-se o sol.
Foram-se as gaivotas.

Foi-se a gente.
Fui-me eu
Para a cidade real.


Fernanda

Monday, December 03, 2007

Voa livre

Voa livre meu pensamento,
No colo do vento norte…
Tão rápido e às vezes lento,
Sonhando com uma feliz sorte.

Agora está nas asas da brisa,
Na ponta da fantasia humana…
Perdido no Céu, onde profetisa,
Longe da materialidade mundana.

Refresca-se no orvalho de uma rosa,
Saltita entre nuvens de temperança,
Poisando numa estrela luminosa,
Onde colhe flores de esperança.


Fernanda