Monday, September 24, 2007

VOLTOU DE VIAGEM

Sopra o vento no alto da montanha,
cai a neve na serra, lá distante,
vem o lenhador carregado de lenha
e a chuva molhar o caminhante.

É o inverno, que voltou de viagem,
trazendo o arrepio molhado, consigo,
para deixar limpa e fresca, a paisagem,
arrancando-lhe a secura com o riacho amigo.

Mata a sede ao mundo vegetal:
Afugenta réstias de luz, de calor,
na branca e cega geada matinal,
de onde soam hinos de louvor.

Dorme o animal hibernativo.
A vida esconde-se debaixo da neve.
O Homem fica mais contemplativo,
tocando o gelo de si, ao de leve.


Fernanda

Sunday, September 16, 2007

MENTIRA BRANCA

Mentira branca,
no branco das trevas,
nas trevas do nada,
no nada de si,
no si turbilhonante,
na turbilhante respiração,
na respiração tolhida,
na tolhida pálpebra,
na pálpebra do medo,
no medo de ningúem,
no ninguém da angústia,
na angústia do desdém,
no desdém escarnecedor,
no escarnecedor bastardo,
no bastardo da Terra,
na Terra da vida,
na vida de um filho,
no filho do Céu,
no Céu da esperança,
na esperança do réu,
no réu da mentira branca.


Fernanda

Sunday, September 09, 2007

LÁGRIMAS DO RIO

Lágrimas do rio magoado,
num corpo cansado,
cansado da dor.
Lágrimas de sangue.
do sangue do seu coração!

Rio grande e largo
lava essas mágoas
do pesado fardo.
Leva-as contigo,
rio abaixo...
Sedimenta-as no lodo
mas, aproveita e purifica
as que amadurecem
o Homem que fica!
Reflete a casa, o arbusto
daquela alma,
no teu espelho corrente
e mostralhes utilidades.
Não destruas
a barragem humana
com o raiva
das tuas lágrimas.
Alimenta-as, antes,
e faz jorrar
todas as fontes vivas.
Cobre de verde esperança
as margens da tua vida.
Deixa subir
a montanha que te sucede
para que, chegado ao cume,
possa apreciar o rio,
o rio maravilhoso da vida.


Fernanda